As noites insones voltaram. Como nos anos passados quando tudo estava por desmoronar. Isso é viver em seu limite, uma hora tudo desaba e a culpa é somente sua. Você paga. Não há opção. Ele sabe disso e está dividido entre o passado e o não passado. Consertar o que foi quebrado ou desistir do passado? Ele estudou o passado, morou lá por muito tempo. Pagou muito caro por pecados que não eram os seus. Abandonar tudo é difícil. Se jogar a maré é algo que apenas poucos iluminados podem. Ele sempre quis, nunca conseguiu.
Um cigarro aceso na mão solta sobre a perna que a outra mão abraça. Luzes apagadas. Lua alta: cheia. Mente povoada que a música evanesce, leva para longe junto do vento que a faz desaparecer na infinitude do horizonte. "Me cura!", ele pede saindo do ritmo mas mantendo a letra, "de uma loucura qualquer.", se explica para ninguém.
"Tudo bem", a música continua e lhe traz algum conforto. "Está tudo bem em se sentir perdido às vezes", pensa. Ele anda muito perdido ultimamente, tateando no escuro, sua vida ele parece estar seguindo em frente. Mas parecer nem sempre é estar. Todo mundo tem medo disso. Não é mesmo?
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