sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Feche seus olhos e ouça esse relato como ele é, um sussurro.

O céu noturno está limpo, claro como um dia, iluminado pela lua minguante e suas estrelas candentes. A noite diz muito aqueles que sabem ouvir, sabia? Ele já não sabe mais. Talvez por isso não doa tanto. O que o fez parar de ouvir mesmo? Será que por que ele cresceu? Será por que ele amou? Será por que se feriu? Ninguém diria que já não dói tanto, o olhar engana. Ele está à deriva na piscina de sua casa, afastado da cidade o céu realmente se revela para aqueles que querem olhar.  Há dias ele queria um céu assim: limpo. E agora que ele o tem, não consegue escutar a voz doce da lua que antes o tocava.
Ele não está pensando em nada agora. Apenas deriva, boiando como seu pai o ensinou, querendo ir para longe. Querendo que as mesmas águas que lavam sua alma levem-no para longe, mas ele sabe que aquelas não podem fazer nada por ele, estão tão paradas o quanto podem estar. Será que realmente já não dói mais? Ou ele apenas já se acostumou com a dor? "Será que isso é crescer?", ele se pergunta. Respostas lhe cairiam bem. Mas não existem respostas aqui. Ou existem e ele apenas não consegue vê-las. Há muito tempo ele desejara muitas coisas para si, hoje ele conseguira algumas. Especialmente em relação a quem ele gostaria de ser. Aqui, agora é mais fácil perceber que ele não fez todas as escolhas certas. "Não! Nem tudo é permitido... exissem coisas que simplesmente são erradas", ele ouvira alguém dizer alguns dias antes na mesma semana e ele pensa nisso agora, enquanto deriva.
No fundo ele sabe que todas as escolhas foram feitas sem arrependimentos. Eram histórias de vida que ele queria para si. Ele queria ter vivido tudo aquilo, ele gostaria de saber como é estar ali se nunca o tivesse. Mas a pergunta que lhe resta é: "Será que eu quero estar aqui novamente? Será que um dia eu me permitirei estar aqui novamente?". Isso pode não parecer muito para mim ou para você, mas para ele é a diferença entre o abismo mais profundo e a montanha mais alta. Se permitir voltar aqui significa se permitir gostar novamente, significa se jogar em absoluto e, possivelmente, cair como uma rocha jogada não em um lago, mas em uma fenda sobre a terra fria. Talvez a terra lá embaixo esteja coberta por uma fina camada de grama macia como a que ele pisa agora, depois de subir os três degraus que o separavam da borda gramada da piscina. A grama macia coberta por uma fina camada de orvalho somada ao vento leve que sopra do oeste leva para longe tudo o que ele queria ter deixado para traz há um mês, mas não conseguia, e agora ele se pergunta: "Agora eu posso pensar novamente? Ou amanhã tudo vai voltar novamente?". Um enigma que só alvorada vai trazer a resposta. Como sempre só o amanhã trará respostas para ele. Algumas ele ainda espera, há muito tempo ele as espera. Ele precisa de apenas seis passos para alcançar as pedras. E mais dois para alcançar a toalha.
Seus músculos torácicos tremem enquanto ele se seca. O mesmo vento que soprou para longe seu sofrimento também levaram o calor de seu corpo. Na escuridão ele medita enquanto se seca. Duas da manhã e ele está meditando a olhar para o horizonte enquanto seca seu corpo nu. Medita sobre a vida, amorosa e profissional. Principalmente profissional, agora, uma vez que não sabe ao certo o que fazer de sua vida. Não me leve a mal ele não está em nenhum tipo de crise em relação a isso, antes estivesse. Ele simplesmente não sabe o que fazer. Esgotara suas opções e seus contatos agora resta apenas esperar algum retorno do horizonte. Há sinal de fumaça por lá. Isso será bom ou ruim? Ninguém sabe! Ninguém vê o horizonte, ninguém além dele e ainda assim ele é só um vislumbre longínquo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

De olhos bem fechados

Eramos todos sombras sonhando em ser pessoas. Viviamos encobertos pelo manto da noite, fumando cigarros e fazendo planos. Bebendo e dizendo "amém" para qualquer revolução. As possíveis e as impossiveis. Achavamos que queriamos mudar o mundo mas apenas queriamos mudar a nós mesmos. Ou será que apenas desejavamos que o mundo não nos mudasse tão cruelmente para nos transformarmos em nossos pais? Deus, não sabiamos o que fazer. Para dizer a verdade não sabemos até hoje. Mas mudamos. Ainda não nos tornamos em nossos pais, nosso tempo ainda não acabou também. Quem sabe um dia?! 
Estamos andando vendados, especialmente nos ultimos tempos. Não sabemos para onde estamos indo. Existe, não nego, um vislumbre no horizonte. Um desenho brumosos envolto em luz. Estamos todos vendados tentando descobrir para onde ir. É como quando éramos crianças e brincavamos de Cabra-Cega, só que agora fazemos isso a todo momento, em nossas mentes. Fazemos isso com nossas vidas.
Estamos perdidos e estamos tentando. Isso faz todos os planos perderem o valor? Isso nos diz que crescemos? Isso mostra que éramos inocentes? A inocência é uma dadiva juvenil? Acho que não. Para todas as respostas. A fé, no final das contas, não é uma forma de inocência?! Fé no que quer que seja: Deus, bondade humana, Papai-Noel.
Não estamos aqui discutindo fé e sim inocência. E acreditar tão piamente em algo que você seria capaz de se sacrificar [mesmo que apenas em certa medida] por aquilo não te diz algo sobre sua própria inocência?! No fundo nenhum de nós é inocente, disso eu estou certo, no entatnto isso não nos torna a todos isentos desse elemento quintessêncial para a existência humana, a inocência. Complicado isso não é mesmo?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Nem mesmo eu

Tem coisas que eu entendo, tem coisas que eu preciso entender, tem coisas que eu não entendo, tem coisas que eu não quero entender, tem coisas que doi entender...
...todas essas coisas todos esperam que eu entenda, mas todos não entendem e eu sinto que ninguém me entende, nem mesmo eu...
...entendeu?

"It wears me out, it wears me out it wears me out, it wears me out if I could be who you wanted if I could be who you wanted all the time

All the time....
All the time..."

"Não tenho muito tempo

Tenho medo de ser um só

Tenho medo de ser só um

Alguém pra se lembrar"