quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Crônicas II: A NOITE


Conversavam há horas. Nem notaram a hora passar. E ela passou bem depressa.
- Vou pedir a conta. Preciso ir embora
- Claro. Eu te levo – disse ela.
Ele pagou a conta e eles foram até o carro. No caminho um interminável silêncio entre os dois, no ar apenas o barulho dos carros na avenida. A essa altura nenhum dos dois queria ir para casa. Depois de vários anos eles faziam algo juntos, depois de muito tempo eles trocaram olhares e se tocaram novamente. Não queriam acreditar na possibilidade de nunca mais se verem. Daí em diante provavelmente cada um voltaria a sua vida e elas haviam tomado rumos totalmente diferentes.
Mas aquela noite estava para ter um fim e todo o sonho que os dois não viveram. Chegaram ao carro. Entraram. Conversar vagas e engraçadas tomaram o ambiente. Apesar da distância parece que nunca haviam se separado de fato. Ambos se sentiam muito bem a vontade em estarem juntos.
Enquanto ela dirigia, ele prestava muita atenção. Não necessariamente no que ela falava. Palavras não faziam muito sentido naquele momento. Mas em seus movimentos. Seus lábios ao discorrer as palavras. Seu sorriso ao lembrar de momentos íntimos. Seus olhos ao prestarem atenção no trânsito. Suas mãos ao conduzirem o carro. A noite naquela cidadezinha nunca fora tão bonita.
Então uma barreira foi rompida. Sem dizer nada, ao pararem em um sinal, ele escorregou a mão de sua perna para a dela. Por um momento ela prendeu a respiração. Seu coração palpitava sem controle, assim como o dele. Ele fixou o olhar nos olhos dela. Mas ela não conseguia se virar, talvez por medo de não poder controlar a situação a seguir.
Ela finalmente virou e encarou-lhe como nunca havia feito. Os dois não se contiveram tamanho era o desejo. Nada mais importava, nada. As luzes da cidade, os carros, o semáforo, as buzinas. Todos se tornaram testemunhas daquele amor.
Os lábios se tocaram como se nunca tivessem se encontrado. Recuaram os dois ao mesmo tempo e encararam-se novamente. Lágrimas corriam lhes pelo rosto. Sorriram e sem hesitar beijaram-se novamente. A esta altura, os sentimentos já afloravam e o calor dos corpos saia por todos os poros.
Decidiram por bem ir para algum outro lugar, longe das ruas, onde se sentissem mais a vontade. Não era nem um pouco parecido com o lugar que ele havia imaginado anteriormente. Não havia lareira, tão pouco um tapete no chão da sala, nem era mesmo uma sala. Mas a noite estava fria, mais um motivo para que eles juntassem seus corpos...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dezoito de Brumário - I




De repente aquele sentimento. Não sei se você já sentiu. Provavelmente já.
Vários pensamentos passam pela cabeça ao mesmo tempo. Histórias do passado. Fatos do presente. E um futuro que talvez não aconteça.
Um aperto no peito. Algo segura o coração e o estomago ao mesmo tempo. O pulmão nem se expande mais.
Uma lágrima... Outra lágrima. A sensação de indefeso. O sentimento de culpado, por um fato que talvez nem haja réu ou vitima.
A terceira cai. “Como pude fazer aquilo?? Como?”
“Vou voltar atrás. Pronto, está decidido! É isso!”
“Não. Não posso voltar atrás.”
“Mas seria muito mais fácil.”
“Mas... ...e se depois de um tempo você fizer tudo de novo?? Você não pode voltar”
“É um caminho sem volta?”
“Não sei. Talvez sim. Ou talvez seja apenas um outro caminho que leve ao mesmo lugar.”
“E que lugar é esse?”
“Não sei, nunca estive lá.”
As lágrimas agora caem sem parar. Oito, nove, dez,... , dezoito,... , nem dá mais para se contar.
E aquele sentimento. O passado irá continuar registrado, e o planejado já não é mais possível. Tudo está fora de controle. E o presente...

Talvez não tivesse que ser assim!

Estranho A Terra.

domingo, 3 de agosto de 2008

Insanidade?


Sempre que passo neste lugar vejo aquele cara ali....
Mas que saco! Por que ele me observa tanto?

Alguns dias depois

Se aquele cara estiver ali novamente, vou falar umas verdades p/ ele...
...é ele! Hoje ele não me escapa!
- Hei você! É, você mesmo!
- Algum problema meu chapa? Fique sabendo que não gosto do jeito que me olha! Pensa o que? Que é o conhecedor de tudo?
Esse seu jeito não me agrada nenhum pouco, tire esse esboço de sorriso do rosto!

Olha sua vida rapaz, você se acha, não acredito que tem orgulho de ser assim!
Você me enoja, sabe?!!
E quer saber mais?!! To com vontade de quebrar sua cara!!

Esse soco que eu lhe dei foi o único de toda a minha vida, nunca tinha socado alguém antes.
E continua olhando, agora todo em pedaços e...
...sangue!!! Minha mão cheia de sangue, mas não é seu!!! É meu!!!!

Você sempre vence, te odeio, nunca mais quero ver sua cara...

E uns dias depois o espelho quebrado é tirado do lugar.