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Crônicas II: A NOITE
Conversavam há horas. Nem notaram a hora passar. E ela passou bem depressa.
- Vou pedir a conta. Preciso ir embora
- Claro. Eu te levo – disse ela.
Ele pagou a conta e eles foram até o carro. No caminho um interminável silêncio entre os dois, no ar apenas o barulho dos carros na avenida. A essa altura nenhum dos dois queria ir para casa. Depois de vários anos eles faziam algo juntos, depois de muito tempo eles trocaram olhares e se tocaram novamente. Não queriam acreditar na possibilidade de nunca mais se verem. Daí em diante provavelmente cada um voltaria a sua vida e elas haviam tomado rumos totalmente diferentes.
Mas aquela noite estava para ter um fim e todo o sonho que os dois não viveram. Chegaram ao carro. Entraram. Conversar vagas e engraçadas tomaram o ambiente. Apesar da distância parece que nunca haviam se separado de fato. Ambos se sentiam muito bem a vontade em estarem juntos.
Enquanto ela dirigia, ele prestava muita atenção. Não necessariamente no que ela falava. Palavras não faziam muito sentido naquele momento. Mas em seus movimentos. Seus lábios ao discorrer as palavras. Seu sorriso ao lembrar de momentos íntimos. Seus olhos ao prestarem atenção no trânsito. Suas mãos ao conduzirem o carro. A noite naquela cidadezinha nunca fora tão bonita.
Então uma barreira foi rompida. Sem dizer nada, ao pararem em um sinal, ele escorregou a mão de sua perna para a dela. Por um momento ela prendeu a respiração. Seu coração palpitava sem controle, assim como o dele. Ele fixou o olhar nos olhos dela. Mas ela não conseguia se virar, talvez por medo de não poder controlar a situação a seguir.
Ela finalmente virou e encarou-lhe como nunca havia feito. Os dois não se contiveram tamanho era o desejo. Nada mais importava, nada. As luzes da cidade, os carros, o semáforo, as buzinas. Todos se tornaram testemunhas daquele amor.
Os lábios se tocaram como se nunca tivessem se encontrado. Recuaram os dois ao mesmo tempo e encararam-se novamente. Lágrimas corriam lhes pelo rosto. Sorriram e sem hesitar beijaram-se novamente. A esta altura, os sentimentos já afloravam e o calor dos corpos saia por todos os poros.
Decidiram por bem ir para algum outro lugar, longe das ruas, onde se sentissem mais a vontade. Não era nem um pouco parecido com o lugar que ele havia imaginado anteriormente. Não havia lareira, tão pouco um tapete no chão da sala, nem era mesmo uma sala. Mas a noite estava fria, mais um motivo para que eles juntassem seus corpos...
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